Solenidade de Corpus Christi: dom Walmor convida fiéis a viverem segundo a lógica do sacerdócio de Cristo

Milhares de fiéis da Arquidiocese de Belo Horizonte saíram às ruas em procissão, na quinta-feira, dia 26 de maio, para celebrar Corpus Christi.   Após participarem de Missa campal presidida por dom Walmor e concelebrada por padres da Forania, na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, todos seguiram até a Igreja São José.  Com velas acessas e terços nas mãos, a multidão percorreu um quilômetro,  cantando e rezando ao longo da avenida Afonso Pena.

 

Todo o percurso entre as  duas paróquias foi decorado com tapetes de serragem colorida, confeccionados por aproximadamente mil voluntários, que passaram a madrugada trabalhando. Com serenidade, ao lado dos tapetes,  os fiéis seguiam dom Walmor, que conduzia o Santíssimo Sacramento. Na Igreja São José,  repleta de fiéis, o Arcebispo abençoou a multidão com o Santíssimo. Houve também  um bonito momento de oração e homenagem a Nossa Senhora.

 

Na capital mineira e nos 27 municípios que integram a Arquidiocese, a Solenidade de Corpus Christi, neste ano, foi celebrada nas foranias – instâncias que reúnem grupos de paróquias mais próximas entre si.  Nos anos seguintes a “Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo”, como é nominada na tradução para o português,  ocorrerá nos âmbitos das paróquias e arquidiocesano.

 



 

Homilia – A lógica do sacerdócio de Jesus

 Na homilia, o Arcebispo destacou a preocupação da igreja com as juventudes, especialmente com aqueles que se colocam distantes da Igreja ou indiferentes a Deus  e a intenção da Igreja de efetivar ainda mais a opção  preferencial pelos jovens. Ressaltou que não só eles mas todos precisam, de fato, reconhecer que nada tem a força da presença de Deus: nem a política,nem as ideologias. Assim, convocou cada fiel a assumir o compromisso com o testemunho público da fé e do Evangelho, ainda que na contramão de valores equivocados que regem a sociedade.

Dom Walmor também agradeceu o espírito de doação daqueles que atravessaram a madrugada confeccionando os tapetes e disse que a alegria e o amor  que os moveram nesse trabalho, também seria gravado por Deus no coração de cada voluntário.

O Arcebispo centrou sua homilia no valor da misericórdia com o próximo e do espírito de doação.  Assim, chamou a atenção para a mensagem da primeira leitura (Gn 14,18-20) em que Abraão faz a oferta do dízimo, fruto do seu trabalho, “um desafio, porque muitas vezes, em nossa existência, podemos oferecer , e não o fazemos, podemos partilhar e seguramos”. Ainda referindo-se à primeira leitura, citou Melquisedec – sacerdote que dialoga com Abraão.

 O Arcebispo observa que o sacerdócio Melquisedec convida à oferta do dízimo e que ao celebrarmos a  Festa de Corpus Christi, todos são chamados  a tomar consciência de outro sacerdócio “eterno e supremo” que deve ser posto como  “luz brilhante em nossa consciência, em nosso coração: o sacerdócio de Cristo”. Um sacerdócio que, segundo o Arcebispo, Ele exerce não na força de um rito, não simplesmente na oferta do que é fruto do seu trabalho ou da sua posse para o bem de outro, “o que é nobre”,  mas o sacerdócio que se configura na oferta que Ele amorosamente faz de si, oferecendo-se alto da cruz. “Como diz o Apóstolo Paulo, na Carta aos Coríntios (1Cor 11,23-26), nos deixa esse memorial que é a fonte da nossa Fé. Que é a fonte que nos alimenta, a fonte de referência insubstituível para nós, igreja peregrina. Mostrando-nos que seu sacerdócio é grandioso porque ele teve a coragem de morrer na cruz e se oferecer para salvar a humanidade”.

 

Ao celebrar a Festa de Corpus Christi, dom Walmor ressalta que todo cristão-católico é chamado a se inserir existencialmente, diariamente, na lógica do sacerdócio de Cristo, que Ele revela aos seus discípulos quando  os impede de dispensar a multidão faminta e alimenta todos com a multiplicação de cinco pães e dois peixes. “Jesus chama os discípulos, diante dos descompassos da humanidade, a aprender  a lógica do seu sacerdócio que podemos nominar como oferta de si. Somente com essa lógica teremos a força para modificar cenários. E se não aprendermos, provocaremos os descompassos que geram as crises que pesam sobre os ombros da sociedade”. Para o Arcebispo, se o coração das  pessoas  responsáveis pela atual crise econômica que gerou 11 milhões de desempregados, fosse presidido pela lógica do sacerdócio de Cristo, isso não teria acontecido. Ele observou, ainda, que não aconteceriam descompassos e crises nas famílias e até mesmo na Igreja, se essa mesma lógica prevalecesse.


“A Festa de Corpus Christi - concluiu dom Walmor- não é apenas para darmos continuidade a uma tradição, o que também é importante, mas, sobretudo, para contemplarmos a Eucaristia que celebramos, a beleza da lógica do sacerdócio de  Cristo e testemunhá-lo em nosso dia a dia".

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